Os números do Banco de Portugal não deixam margem para interpretação: o estoque de investimentos brasileiros diretos em Portugal atingiu €4,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — o maior nível desde 2021. Na direção contrária, os portugueses estão reduzindo posições no Brasil: o saldo caiu para €2,8 bilhões, o menor em três anos.
O movimento tem explicação estratégica — e vai além da afinidade cultural entre os dois países. Portugal está se consolidando como plataforma de acesso ao mercado europeu para o capital brasileiro, com vantagens que vão de idioma comum a posição geográfica estratégica, passando por custos competitivos e a perspectiva de um acordo Mercosul-União Europeia que pode multiplicar as oportunidades.
Para brasileiros com cidadania portuguesa — ou em processo de conquistá-la —, esse cenário transforma a cidadania em algo além de passaporte: é ativo empresarial e patrimonial de primeira linha.
Os números que dimensionam o movimento
Investimentos brasileiros em Portugal
- €4,5 bilhões de estoque de investimento direto no 1º trimestre de 2026;
- Maior nível desde o início de 2021;
- Aumento de quase €500 milhões entre 2024 e 2025;
- Direção: crescente e acelerando.
Investimentos portugueses no Brasil
- €2,8 bilhões de estoque no 1º trimestre de 2026;
- Menor nível em três anos;
- Trajetória de queda desde 2010, segundo dados do Banco Central brasileiro;
- Em 2010: US$ 6,3 bilhões (1,07% do IED total). Em 2024: US$ 2,9 bilhões (0,33%).
O contexto global
A ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apontou, em relatório de julho de 2026, que o Brasil foi o 5º maior destino de investimento estrangeiro direto no mundo em 2025 — atrás apenas de EUA, Singapura, Hong Kong e China. Foram US$ 77 bilhões enviados ao Brasil no ano passado, US$ 14 bilhões a mais que em 2024.
Na contramão, Portugal viu o investimento estrangeiro direto total cair de US$ 14,1 bilhões para US$ 10 bilhões entre 2024 e 2025. Os brasileiros, no entanto, evitaram que o número fosse ainda menor — aumentando sua posição enquanto outros recuavam.
Por que Portugal virou plataforma
Três especialistas ouvidos pelo Público Brasil convergem na análise: Portugal se tornou plataforma estratégica para o capital brasileiro acessar o mercado europeu.
A visão do economista
Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, destaca que "muito do interesse dos investidores brasileiros por Portugal tem a ver com oportunidades para se entrar no mercado europeu". Para ele, a presença do capital brasileiro em Portugal tenderá a aumentar nos próximos anos, especialmente com o acordo Mercosul-UE.
"Os investidores brasileiros podem transformar Portugal em uma plataforma para a venda de seus produtos no mercado europeu, com mais de 500 milhões de consumidores", afirma Velho. Ele lembra que gigantes brasileiros como a Embraer (aviação) e a Weg (motores) já estão enraizados no país.
A visão do mercado financeiro
Sandra Utsumi, diretora executiva do Haitong Bank em Portugal, aponta os setores onde o capital brasileiro tem encontrado oportunidades: tecnologia da informação, construção civil, agronegócio, aviação, turismo e viticultura, entre outros.
"Em Portugal, tem-se a vantagem de se falar português, o que facilita muito para as empresas, sobretudo para entender a legislação local. O país está numa posição estratégica e ainda é mais barato para investimentos do que outros países europeus", explica.
Sandra acrescenta que Portugal está se beneficiando dos efeitos da instabilidade geopolítica global, por garantir segurança física e jurídica para investidores.
A visão acadêmica
Paulo Gala, professor da FGV em São Paulo, contextualiza: a trajetória de queda dos investimentos portugueses no Brasil vem desde 2010. Em paralelo, o movimento inverso — brasileiros investindo em Portugal — acelerou consistentemente, especialmente após a pandemia.
Os fatores que explicam o recorde
1. Idioma comum
Portugal é o único país europeu de língua portuguesa. Para empresas brasileiras, isso significa: contratos, legislação, negociações e gestão de equipes sem barreira linguística. Vantagem competitiva real sobre Espanha, França ou Alemanha.
2. Custo competitivo
Portugal continua sendo mais barato para investimentos do que outros países da Europa Ocidental:
- IRC em queda: 19% em 2026, com trajetória até 17% em 2028;
- PMEs: 15% sobre os primeiros €50 mil;
- Zona Franca da Madeira: 5% até 2033;
- Salários: mais baixos que norte da Europa;
- Incentivos fiscais: RFAI, SIFIDE, ICE.
3. Posição geográfica estratégica
Portugal é porta de entrada para a UE — com acesso direto ao mercado de 450 milhões de consumidores (500+ milhões com acordos EEE). Localização entre Europa, África e Américas facilita logística triangular.
4. Acordo Mercosul-UE
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia multiplica as oportunidades: empresas brasileiras com base em Portugal podem acessar o mercado europeu com tarifas reduzidas e regime preferencial — usando Portugal como hub de distribuição.
5. Segurança jurídica e estabilidade
- "Economia do ano" pela The Economist em 2025;
- PIB crescendo 2,3% em 2026 (acima da média da Zona Euro);
- Rating soberano nível A;
- Sistema bancário sólido;
- Excedente orçamental nos últimos anos.
6. Comunidade brasileira consolidada
Com 574 mil brasileiros residentes, Portugal tem ecossistema de suporte para empresas brasileiras: profissionais bilíngues, rede de contatos, serviços especializados, conhecimento local acumulado.
7. Gigantes brasileiros já estão lá
A presença da Embraer e da Weg em Portugal não é simbólica — é estratégica. São empresas que escolheram Portugal como base europeia de operações. Outras empresas brasileiras seguem o mesmo caminho em setores como tech, construção e turismo.
Os setores mais quentes para investimento
Segundo as fontes ouvidas, os setores com maior apetite do capital brasileiro em 2026:
- Tecnologia da informação — startups, SaaS, serviços digitais;
- Construção civil — forte demanda habitacional em Portugal;
- Agronegócio — processamento e distribuição para mercado europeu;
- Aviação — Embraer como referência;
- Turismo — 70 unidades hoteleiras em construção;
- Viticultura — vinhos portugueses com crescente prestígio global;
- Energia e sustentabilidade — Portugal líder em renováveis;
- Serviços financeiros — fintechs e consultorias.
O papel da cidadania nessa equação
Para investidores brasileiros — de grandes empresas a empreendedores individuais —, a cidadania portuguesa transforma completamente a posição no mercado:
Com cidadania
- Sem restrições para investir como estrangeiro;
- Acesso pleno a crédito bancário como cidadão nacional;
- Sem visto de empreendedor (D2) e suas exigências;
- Sem renovações burocráticas;
- Direito de operar em toda a UE como cidadão europeu;
- Proteção jurídica plena;
- Transmissível a filhos e netos.
Sem cidadania
- Visto D2 com exigências de plano de negócios e capital;
- Autorização de residência dependente do negócio;
- Renovações periódicas;
- Restrições em alguns setores e instrumentos financeiros;
- Dependência burocrática permanente.
A cidadania portuguesa é, nesse contexto, ativo estratégico — não apenas pessoal, mas empresarial.
A mensagem central
Os €4,5 bilhões de investimento brasileiro em Portugal no 1º trimestre de 2026 não são acidente — são tendência estrutural. O capital brasileiro está descobrindo Portugal como plataforma para a Europa, e os fatores que sustentam esse movimento (idioma, custo, posição geográfica, acordo Mercosul-UE, segurança jurídica) são de longo prazo.
Para brasileiros que pensam em investir ou empreender em Portugal, o cenário é de oportunidade concreta — e a cidadania portuguesa é o ativo que transforma oportunidade em vantagem competitiva. Quem investe como cidadão europeu opera em condições fundamentalmente superiores a quem depende de vistos e autorizações.
O capital brasileiro já votou: Portugal é a porta certa para a Europa. A cidadania é a chave que abre essa porta de vez.
Conte com o Clube do Passaporte
No Clube do Passaporte, conduzimos processos de cidadania portuguesa que transformam brasileiros em cidadãos europeus — com direito pleno de investir, empreender e operar em Portugal e em toda a UE.
Se você tem ascendência portuguesa e visão empresarial, fale com um dos nossos especialistas. A cidadania portuguesa é o primeiro investimento que viabiliza todos os outros.
Com informações do Público Brasil, Banco de Portugal e UNCTAD.


