Em dezembro de 2025, a revista britânica The Economist — uma das publicações econômicas mais respeitadas do mundo — elegeu Portugal como "economia do ano" entre os 36 países mais ricos. A descrição foi memorável: o desempenho português foi "doce como um pastel de nata". Portugal destronou a Espanha (vencedora em 2024) ao combinar forte crescimento do PIB, baixa inflação e mercado de ações em alta — uma tríade que poucos países conseguiram em 2025.
Para brasileiros que pensam em empreender em Portugal — especialmente os que têm (ou estão conquistando) cidadania portuguesa —, esse reconhecimento não é mero símbolo. Traduz um cenário econômico concretamente favorável: PIB crescendo 2,3% em 2026 (acima da média da Zona Euro), IRC em queda para 19% (trajetória até 17% em 2028), desemprego no mínimo histórico de 5,8%, excedente orçamental, e rating soberano nível A. É, objetivamente, o melhor momento em décadas para empreender em Portugal.
Neste artigo, o Clube do Passaporte analisa o que a distinção da The Economist revela sobre a economia portuguesa e como brasileiros com cidadania podem aproveitar esse cenário para empreender com vantagem estrutural.
O que a The Economist avaliou
O ranking da The Economist avalia cinco indicadores:
1. Crescimento do PIB
Portugal registrou crescimento de 2% em 2025 — acima da média da Zona Euro (~1,3%). O Banco de Portugal projeta 2,3% para 2026. A OCDE estima 2,2%. Crescimento real acumulado nos três anos anteriores (2023-2025): 7,5%.
2. Inflação
Inflação controlada e estável — em torno de 2,4% em 2025, com projeção de 2,1% em 2026. Abaixo da média europeia e consistente com estabilidade de preços.
3. Emprego
Desemprego em mínimo histórico: 5,8% — abaixo da maioria dos países europeus. Emprego em níveis recordes. Mercado de trabalho descrito como "resiliente" pelo Banco de Portugal.
4. Mercado de ações
A bolsa portuguesa teve valorização superior a 30% em 2025 — desempenho excepcional no contexto europeu. Ainda assim, com valorizações "prudentes" em relação a expectativas de lucros (sem bolha especulativa).
5. Desvio da inflação
O desvio da inflação em relação à meta é baixo — indicando estabilidade e previsibilidade monetária.
A combinação vencedora
Segundo a The Economist: "Em 2025, Portugal conseguiu combinar um forte crescimento do PIB, baixa inflação e um mercado de ações em alta." Os fatores impulsionadores: turismo dinâmico e atração de residentes estrangeiros em contexto de competitividade fiscal.
O que mais está por trás dos números
Além dos cinco indicadores da The Economist, o panorama é ainda mais robusto:
Contas públicas saudáveis
- Excedente orçamental em 2024 (0,5% do PIB) e 2025 (0,3%);
- Dívida pública em trajetória descendente: de 95,3% em 2024 para ~87% em 2026;
- Comissário europeu Valdis Dombrovskis: "Portugal tem posição orçamental sólida. Pode haver margem de manobra."
Sistema bancário forte
- Crédito malparado em mínimo histórico;
- Sistema bancário pouco dependente de mercados globais;
- Estabilidade que gera confiança para investidores e empreendedores.
Investimento em aceleração
- Investimento público acelerou em 2025-2026 (com fundos PRR e Portugal 2030);
- Investimento privado crescendo, embora com cautela;
- Fundos europeus: programas abertos em 2026 com centenas de milhões disponíveis.
Convergência europeia
Portugal está convergindo com a média de rendimentos da UE: de 79% para aproximadamente 83% da média europeia. É um país que está ficando menos pobre em termos relativos — bom sinal para quem empreende lá.
O que isso significa para empreendedores brasileiros
A distinção da The Economist confirma que Portugal é, em 2026, um destino estratégico para empreender. Traduzindo em termos práticos:
1. Economia estável = menor risco
Para um empreendedor brasileiro habituado à volatilidade econômica brasileira (câmbio, juros, inflação imprevisíveis), a estabilidade portuguesa é transformadora:
- Inflação previsível (2%);
- Juros em queda;
- Câmbio estável (zona euro);
- Regras fiscais claras e em trajetória positiva;
- Sem surpresas macro brutais.
2. IRC em queda = mais lucro retido
O Imposto sobre Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) está em trajetória descendente:
- 2025: 20%;
- 2026: 19%;
- 2027: 18%;
- 2028: 17%.
PMEs: pagam apenas 15% sobre os primeiros €50.000 de lucro tributável.
Zona Franca da Madeira: 5% de IRC até 2033.
Para empreendedores brasileiros habituados à carga tributária brasileira (~34% efetiva para empresas), o IRC português é muito competitivo.
3. Acesso ao mercado europeu = escala
Uma empresa em Portugal acessa automaticamente o mercado da UE — 450 milhões de consumidores, sem barreiras comerciais entre países-membros. Para brasileiros que empreenderam no Brasil (mercado de 210 milhões), Portugal é porta para mais que dobrar o mercado potencial.
4. Crédito acessível = crescimento financiável
Com juros baixos e sistema bancário sólido, o acesso a crédito empresarial em Portugal é significativamente melhor que no Brasil. Linhas de crédito para PMEs, programas de apoio ao investimento (RFAI, SIFIDE, ICE), e fundos europeus (Portugal 2030) complementam o cenário.
5. Talento disponível = equipe qualificada
Portugal tem:
- Universidades de qualidade (ULisboa, UPorto, UNova, UMinho);
- Profissionais qualificados em tech, design, engenharia;
- 574 mil brasileiros residentes = pool de talento bilíngue;
- Custo salarial mais baixo que norte da Europa;
- Subsídio de refeição (€6-9,60/dia) reduz custo efetivo.
6. Ecossistema de startups consolidado
- Web Summit em Lisboa (um dos maiores eventos tech do mundo);
- Startup Portugal e programas governamentais;
- Incubadoras e aceleradoras ativas;
- Comunidade tech brasileira crescente em Lisboa e Porto;
- Investidores com crescente interesse no mercado português.
Os setores mais promissores em 2026
Para empreendedores brasileiros avaliando oportunidades:
Tecnologia e SaaS
Lisboa consolidada como hub tech europeu. Forte demanda por:
- Desenvolvimento de software;
- Produtos SaaS;
- Inteligência artificial;
- Cibersegurança.
Incentivo: SIFIDE permite dedução de até 82,5% das despesas com I&D à coleta de IRC.
Serviços para a comunidade brasileira
574 mil brasileiros = mercado cativo para:
- Consultorias (migratória, fiscal, jurídica);
- Serviços financeiros internacionais;
- Educação e formação;
- Saúde e bem-estar;
- Gastronomia brasileira (que os portugueses também adoram).
Turismo e hospitalidade
Portugal segue como potência turística:
- 70 unidades hoteleiras em construção (7.520 quartos);
- Diversificação regional;
- Turismo sustentável em crescimento;
- Experiências autênticas em demanda.
E-commerce cross-border
Portugal como base para vender na UE:
- Logística europeia acessível;
- Regime fiscal competitivo;
- Plataformas consolidadas (Amazon, Shopify);
- Produtos brasileiros com apelo europeu.
Construção e imobiliário
Forte demanda por habitação:
- Construção nova;
- Reabilitação urbana (IVA reduzido 6%);
- Serviços de gestão de propriedades;
- Mediação imobiliária para brasileiros.
Energia e sustentabilidade
Portugal lidera em renováveis:
- Painéis solares;
- Eficiência energética;
- Certificação ambiental;
- Portugal 2030 com centenas de milhões para transição energética.
O passo a passo simplificado
Para brasileiros com cidadania portuguesa que querem abrir empresa:
1. NIF português (se ainda não tem); 2. Escolher forma jurídica (Unipessoal Lda. para começar); 3. Empresa na Hora ou Empresa Online (~€360); 4. Conta bancária empresarial; 5. Contador certificado (TOC); 6. Software de faturação certificado; 7. Início de atividade nas Finanças.
Prazo: 1-3 dias para constituição. Custo total de abertura: €500-1.000.
A vantagem da cidadania: o ativo que ninguém menciona
A maioria dos artigos sobre empreender em Portugal foca em vistos (D2 para empreendedores, Startup Visa). Mas a cidadania portuguesa oferece vantagem incomparavelmente superior:
- Sem visto ou autorização;
- Sem renovações burocráticas;
- Sem comprovação de plano de negócios para o governo;
- Sem capital mínimo exigido pelo visto;
- Direitos plenos como cidadão português;
- Acesso a todos os incentivos fiscais como nacional;
- Mobilidade para expandir na UE inteira;
- Vitalício — se o negócio não funcionar, a cidadania permanece.
Um empreendedor com visto D2 depende de manter o negócio viável para renovar a autorização. Um cidadão português pode fechar uma empresa e abrir outra sem consequência migratória. Essa liberdade é valor incalculável para quem empreende.
A mensagem central
A The Economist não erra quando elege a "economia do ano". Portugal em 2026 é cenário objetivamente favorável para empreender:
1. PIB crescendo acima da média europeia; 2. IRC em queda (19% → 17% até 2028); 3. Inflação controlada (~2%); 4. Desemprego em mínimo histórico; 5. Rating nível A; 6. Ecossistema de startups consolidado; 7. Mercado de 450 milhões via UE; 8. Fundos europeus disponíveis; 9. 574 mil brasileiros como comunidade de suporte e mercado.
E para quem tem cidadania portuguesa, tudo isso vem sem a barreira do visto — com acesso pleno, vitalício e irrevogável.
"Doce como um pastel de nata" — é como a The Economist descreveu a economia portuguesa. Para empreendedores brasileiros com cidadania, o sabor pode ser ainda melhor.
Conte com o Clube do Passaporte para abrir essa porta
No Clube do Passaporte, conduzimos processos de cidadania portuguesa que transformam brasileiros em cidadãos europeus — com direito pleno de empreender em Portugal e em toda a UE.
Se você tem ascendência portuguesa e visão empreendedora, fale com um dos nossos especialistas. O primeiro passo para empreender em Portugal não é o CNPJ — é o Cartão de Cidadão. E nós te levamos até ele.


