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Quantos brasileiros já conquistaram cidadania europeia? 

Os números que poucos conhecem

Quantos brasileiros já conquistaram cidadania europeia? Veja os números reais de cidadanias italiana, portuguesa, espanhola e o crescimento da última década.

8 min de leitura
coliseum rome italy (1)
coliseum rome italy (1)

A maioria das pessoas faz uma ideia vaga sobre quantos brasileiros têm dupla cidadania europeia: "deve ser muita gente". E é. Mas os números reais são mais expressivos do que se imagina — e ajudam a dimensionar um movimento histórico que vem se intensificando ano após ano.

Em 2024, segundo dados do Eurostat (instituto oficial de estatísticas da União Europeia), a UE concedeu cerca de 1,2 milhão de cidadanias — um aumento de 11,6% em relação a 2023 e recorde absoluto. Os brasileiros têm sido protagonistas desse movimento, especialmente em Portugal, Itália e Espanha.

Neste artigo, o Clube do Passaporte compila os dados mais recentes sobre cidadania europeia conquistada por brasileiros, mostra quais países lideram, qual a tendência para os próximos anos e o que esses números significam para quem ainda está pensando em iniciar seu processo.


O cenário global da cidadania europeia em 2024

Antes de chegar especificamente aos brasileiros, vale enquadrar o contexto. Os 27 países da União Europeia concederam, em 2024, um total estimado de 1,2 milhão de novas cidadanias — número recorde nos registros oficiais.

O ranking por país concedente:

  1. Alemanha — cerca de 289 mil cidadanias concedidas;
  2. Espanha — 252,4 mil;
  3. Itália — 217,4 mil;
  4. França — 103,6 mil;
  5. Suécia — 62 mil;
  6. Bélgica, Holanda, Áustria — entre 30-50 mil cada;
  7. Portugal — 20,6 mil (9º lugar);
  8. Lituânia — apenas 124 (menor concedente).

Esses números refletem variáveis diversas: políticas de imigração, número de residentes elegíveis em cada país, agilidade administrativa e contextos históricos específicos (a Alemanha, por exemplo, foi impactada por refugiados sírios cumprindo prazo de naturalização).

Brasileiros no movimento global

Embora os números totais por nacionalidade dos beneficiários do ano de 2024 ainda estejam sendo consolidados, dados anteriores e estimativas atualizadas mostram um quadro claro: brasileiros são uma das nacionalidades mais beneficiadas pela cidadania europeia, especialmente nos três países com vínculo histórico mais forte com o Brasil.

A diáspora brasileira na Europa

Em 2024, estima-se que cerca de 1,5 milhão de brasileiros vivam na Europa, distribuídos entre os principais destinos:

  • Portugal: liderança absoluta, com mais de 484 mil brasileiros com título de residência somados a centenas de milhares já cidadãos portugueses. Em algumas estimativas, mais de 550 mil brasileiros vivem em Portugal;
  • Reino Unido: cerca de 220 mil brasileiros, com forte concentração em Londres;
  • Espanha: cerca de 140 mil brasileiros, com Madri e Barcelona como principais cidades;
  • Alemanha: comunidade significativa, com tendência crescente;
  • Itália: comunidade tradicional, ampliada por descendentes que se reconhecem cidadãos;
  • Suíça, Holanda, Bélgica, França, Irlanda: comunidades menores mas relevantes.

Os números por país de cidadania

Cidadania portuguesa

Portugal é, indiscutivelmente, o país europeu que mais concede cidadania a brasileiros. Algumas estatísticas marcantes:

  • Entre 2010 e 2022, mais de 419 mil cidadanias portuguesas foram concedidas a indivíduos de origem brasileira;
  • Em 2023, mais de 41 mil brasileiros obtiveram a nacionalidade portuguesa em um único ano;
  • Em outubro de 2025, dados do IRN (Instituto dos Registos e do Notariado) apontavam mais de 520 mil pedidos de cidadania portuguesa em análise, sendo brasileiros a maioria;
  • A projeção é de que o total de brasileiros com cidadania portuguesa supere 600 mil até o final desta década.

Considerando o histórico, é provável que mais de 500 mil brasileiros já tenham cidadania portuguesa reconhecida — um número que faz da comunidade luso-brasileira uma das maiores diásporas reconhecidas formalmente em qualquer país europeu.

Cidadania italiana

A Itália é o segundo grande caminho para brasileiros. Os números:

  • Estima-se que mais de 200 mil brasileiros tenham conquistado cidadania italiana nas últimas duas décadas;
  • O número de italianos inscritos no AIRE (Cadastro dos Italianos Residentes no Exterior) cresceu de 4,6 milhões em 2014 para 6,4 milhões em 2024 — aumento de 40% em uma década. Grande parte desse crescimento é puxado por reconhecimentos via descendência;
  • Os pedidos administrativos via consulados italianos no Brasil chegaram a ter filas de mais de 10 anos em algumas circunscrições;
  • A via judicial italiana se consolidou como caminho preferencial: tribunais como Brescia, Veneza e Palermo têm proferido decisões favoráveis a brasileiros, com prazos de 1 a 3 anos.

Cidadania espanhola

A Espanha completa o trio:

  • Em 2019, cerca de 2.730 brasileiros receberam cidadania espanhola (cerca de 11,6% do total de cidadanias da época concedidas a brasileiros);
  • Em 2024, a Espanha concedeu 252,4 mil cidadanias no total, com brasileiros representando parcela relevante (graças à Lei de Memória Democrática, ampliada nos últimos anos);
  • A via mais comum para brasileiros é a descendência de sefarditas expulsos pela Inquisição ou descendência espanhola direta.

Cidadania alemã

Para quem tem ascendência alemã (especialmente do Sul do Brasil):

  • A cidadania alemã por descendência tem regras específicas (a transmissão direta é por filhos de alemães, com critérios técnicos);
  • Brasileiros descendentes de alemães do Sul (Vale do Itajaí, Santa Catarina, parte do Rio Grande do Sul) frequentemente exploram esse caminho;
  • Em 2024, a Alemanha reformou sua lei de cidadania, podendo abrir mais possibilidades para descendentes futuros.

Cidadania polonesa, francesa e outras

Há caminhos para outras cidadanias europeias:

  • Polonesa: para descendentes diretos de poloneses, com regras específicas. Comunidade descendente concentrada no Paraná e Santa Catarina;
  • Francesa: para descendentes específicos, com regras restritivas;
  • Húngara, Romena, Tcheca: regras específicas e públicos menores no Brasil.

A explosão dos últimos 5 anos

Talvez o dado mais impressionante seja o ritmo de crescimento. Em apenas alguns anos, o número de brasileiros conquistando cidadania europeia mais que dobrou, segundo várias estimativas. As razões:

1. Pesquisa genealógica acessível. Plataformas digitais como Civil Online (Portugal), Portale Antenati (Itália), FamilySearch e Tombo facilitaram enormemente a localização de documentos antigos.

2. Consciência crescente do direito. Mais brasileiros descobrindo que têm direito por descendência.

3. Procura por mobilidade global. Desafios econômicos, políticos e sociais no Brasil impulsionaram busca por opções no exterior.

4. Modernização administrativa. Consulados, conservatórias e tribunais europeus aceitando cada vez mais pedidos.

5. Vias judiciais consolidadas. Especialmente na Itália, a via judicial reduziu drasticamente o tempo de espera.

6. Tratados bilaterais. O Tratado de Amizade Brasil-Portugal, em particular, cria um vínculo único entre os dois países.

Por que esses números são apenas o começo

A análise mais ampla mostra que, apesar dos números expressivos, estamos longe do total de brasileiros elegíveis.

Estimativas consolidadas indicam:

  • Dezenas de milhões de brasileiros têm direito à cidadania portuguesa por descendência;
  • Outros milhões têm direito à italiana;
  • Milhões adicionais podem ter direito à espanhola (especialmente via sefarditas);
  • Centenas de milhares têm direito à alemã, polonesa, ou outras.

Quando se compara o total de elegíveis com o número já reconhecido, vê-se que a maior parte ainda não exerceu seu direito. O movimento dos últimos anos é apenas o começo de uma tendência que deve crescer pelas próximas décadas.

O que esses números significam para você

Se você é brasileiro e tem alguma ascendência europeia, esses números trazem três mensagens práticas:

1. Você não está sozinho. Centenas de milhares (e potencialmente milhões) de brasileiros estão na mesma jornada. Há infraestrutura especializada, conhecimento técnico, recursos disponíveis para quem decide avançar.

2. O tempo é fator. Conforme mais pessoas se mobilizam, filas crescem, requisitos podem mudar, documentos antigos ficam mais difíceis de localizar. Quem começa cedo tem vantagem.

3. O direito é real e consolidado. Os números refletem a realidade jurídica: brasileiros descendentes de europeus têm direito reconhecido, e milhares conquistam a cidadania a cada mês.

A geração que mais cidadanias terá

Há uma característica única do momento histórico atual: a geração que está hoje em fase ativa de busca pela cidadania europeia tende a ser a maior beneficiária dessa porta de entrada para o mundo.

Por dois motivos:

1. Documentação ainda alcançável. Os ascendentes que vieram da Europa (italianos, portugueses, espanhóis) estão a 3-4 gerações de distância da maioria dos brasileiros adultos hoje. Localizar essa documentação é difícil, mas viável.

2. Pode ser que os critérios endureçam ainda mais. Mudanças legislativas recentes (Decreto Tajani na Itália em 2025, Nova Lei da Nacionalidade portuguesa em 2026, novas regras espanholas) têm sido na direção de mais rigor. As janelas atuais podem ser mais favoráveis que as futuras.

Conte com o Clube do Passaporte para entrar nessa estatística

No Clube do Passaporte, conduzimos processos de cidadania europeia para descendentes brasileiros: italiana, portuguesa, espanhola e outras. Trabalhamos com análise genealógica, organização documental, articulação direta com órgãos europeus e acompanhamento até a emissão do passaporte.

Os números mostram um movimento histórico em curso. Cada nova cidadania reconhecida é uma família que ganha mobilidade, oportunidades educacionais, acesso ao mercado europeu e benefícios para as próximas gerações.

Se você quer fazer parte dessa estatística — não como número, mas como história individual com seu próprio caminho de reconhecimento —, fale com um dos nossos especialistas. Vamos analisar sua linhagem e indicar o caminho mais sólido para conquistar sua cidadania europeia.

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